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Jornal da Praia (JP) - Estamos a poucos dias do início das Festas da Praia 2025, como estão a decorrer os preparativos para a edição deste ano?
John Branco (JB) – Os preparativos estão a decorrer muito bem. Estamos na fase final.
Estamos, praticamente, há um ano a trabalhar… Foram surgindo várias ideias e projetos que foram trabalhados e planeados para que fossem concretizadas. Como disse estamos já na fase final dos preparativos.
JP – O porquê do tema “Teu chão de lava, teu saber a mar.” para a edição deste ano?
JB – Desejei “fugir” um pouco aos temas históricos que nos últimos anos marcaram as Festas. Este ano procurei valorizar o que a nossa ilha tem de melhor, a sua Natureza. Então, temos o “Teu chão de lava” porque somos ilhas de natureza vulcânica, pisamos chão de lava e este chão de lava remete-nos para os primórdios da ilha, para as nossas raízes e tradições e como valorizo muito a nossa cultura e tradições quero assim dar ênfase às nossas tradições e raízes.
O “teu saber a mar”, o saber a mar porque a Praia da Vitória é rodeada por mar, a Praia é temperada pelo mar. E, ao juntarmos o “a” e “mar” temos o “amar” e a Praia sabe de facto amar quem nos visita, gosta de receber e quer receber.
JP … como é que o tema será adaptado às Festas?
JB – Em primeiro lugar, temos o cartaz que já foi divulgado. É um cartaz energético que transmite energia com cores como o vermelho que simboliza a lava que vem do vulcão. É com esta energia que pretendo para as festas, quero que as festas deste ano sejam cheias de vida e de alegria.
Também, temos o mar e quero dar ênfase ao mar, uma das características da Praia da Vitória e este ano vamos ter um programa com muitas atividades desportivas nauticas, vamos encher a nossa baía de barcos, de vida e de cor.
Com este tema, quero trazer vida, muita animação, energia às Festas da Praia e com este “Teu saber a mar” que carateriza a nossa cidade.
JP – Na edição das Festas da Praia 2024 voltou a figura do coordenador. Quando foi convidado para a edição deste ano o que pensou? O que levou a aceitar a coordenar as Festas da Praia 2025?
JB – Em primeiro lugar, foi o gosto pela Festa, o gosto pela tradição, o gosto pela Praia da Vitória, o gosto pela nossa ilha. O amor que tenho pela nossa cidade, pelas nossas tradições, pela nossa ilha… todos temos de dar um contributo. Obviamente, tenho a minha vida pessoal e seria muito complicado aceitar esta coordenação. Tive de falar com a minha família e achei que seria um projeto muito interessante… não estava à espera deste convite. Foi uma honra ter sido convidado e assumi com toda a responsabilidade este projeto. Também, por achar que não devemos estar de fora apenas a criticar quem faz, mas devemos também contribui para que a Festa aconteça. E, acho que a questão de um coordenador geral, sendo uma pessoa de fora, é muito importante para trazer mais energia às festividades. Sendo eu uma pessoa do Porto Martins, um emigrante nascido nos Estados Unidos, quero que as pessoas do Porto Martins aos Biscoitos vivam a festa, inclusive os nossos emigrantes e devemos ter orgulho naquilo que fazemos. Recusar seria mais fácil, mas tal não teria sido gratificante para mim. Assim posso dar o meu contributo ao concelho.
Como Coordenador Geral das Festas tentei estar envolvido em tudo o que faz parte da Festa dando o meu “cunho pessoal”, obviamente que estou rodeado de pessoas fantásticas, de uma equipa fantástica que tem apoiado em tudo e está a ser uma experiência gratificante.
Logo surgiram várias ideias: trazer para o dia de abertura a Marcha Oficial da Praia que desfilou há 25 anos atrás e que muito me encantou na altura e que irá desfilar também com a nossa Marcha Oficial, outra ideia tive quando vi no Porto Martins o Fernando Alberto dos Coxe e pensei que os Coxe deviam voltar este ano o que irá acontecer. Outro projeto será um concerto dos ABBA só com músicos e vozes da Praia da Vitória. Outro projeto que irá concretizar-se será a vinda de restaurantes internacionais à nossa Feira Gastronómica.
Acho que conseguimos um programa para todas gerações, com programação para toda a família.
JP – Os cortejos e a marcha oficial são dos pontos altos e de grande expetativa. O que é que o público vai ver este ano?
JB – O cortejo de abertura reproduz o tema. Os trabalhadores da Câmara Municipal estão a finalizar os carros alegóricos que serão 4. Temos o cortejo infantil que está a ser coordenado pela minha esposa Catarina Rodrigues em colaboração com as pessoas que constroem estes carros alegóricos. Quero aqui valorizar os funcionários da Câmara Municipal que trabalham nestes carros, são verdadeiros artistas que se tem empenhado e não há forma de os agradecer por este trabalho, bem como as pessoas que estão a montar o cortejo em si. Será um cortejo arrojado com algum risco.
O cortejo de abertura, com as marchas, carros alegóricos será cerca de 350 pessoas que desfilarão neste dia (2 de Agosto). Neste desfile teremos então 4 carros alegóricos, as duas marchas, a Filarmónica União Praiense e a Charanga dos Bombeiros da Praia da Vitória.
A Marcha Oficial deste ano terá música de Evandro Machado, letra de José Esteves, roupas desenhadas por Marta Meneses e costureira a senhora Manuela da Vila das Lajes. Quanto à Marcha que desfilou há 25 anos será a mesma com tudo igual.
Também temos o Cortejo Etnográfico que regressa este ano e que tem coordenação, além de mim, do César Toste das Lajes, do Leandro Ávila das Fontinhas e da Véria Sousa do Cabo da Praia. Vamos ter um cortejo que vai envolver todas as freguesias do concelho da Praia da Vitória, com quadros onde o público poderá ver as nossas tradições. Vamos trazer os grupos de folclore e o Grupo de Reizes da Fonte do Bastardo e das freguesias que não tem grupos de folclore, falamos com os presidentes de junta de freguesia para que pessoas com trazes possam estar presentes, assim teremos um cortejo onde todas estão representadas nos diversos quadros. Hoje em dia, não é fácil fazer um desfile etnográfico e, este ano, conseguimos trazer algo de novo.
O tema do Cortejo Etnográfico será “Sonoridades da Memória” porque a música e os sons fazem parte da nossa vida, está presente ao longo ano nas nossas festividades tradicionais.
JP – Quanto a concertos?
JB – Ao longo da semana, temos vários concertos.
Vamos ter um concerto e desfile de filarmónicas. Vamos ter o concerto “Praia Mia” com músicas dos ABBA com a presença da Filarmónica União Praiense.
Ainda no que diz respeito a concertos, para mim, o Palco da Marina é o coração da festa, porque é aberto ao público, é um palco aberto a todas as gerações e este ano tentei fazer uma grande aposta. Terá atuações diversificadas. Por exemplo, teremos a presença dos Mariachi – México Madeira que atuarão no dia 1 de Agosto e vão animar também as ruas. Teremos de novo os Remember (dia 5) que atuaram no ano passado, Davi Dayz (dia 2), o Praia Mia (dia 3), os Alma Popular (dia 4), os Quarto Crescente com Evandro Machado (dia 6), o regresso dos Coxe (dia 9), o Roger, um músico fantástico que todos os anos vem à ilha Terceira e que este ano está presente com o seu grupo Lucky Jumper (dia 7), teremos um grupo à capela, os Contraponto (dia 10), Os Pega (dia 11) e o DJ Artur Marques, que no final do desfile das marchas (dia 8) irá animar este palco.
Vamos manter também o Palco da Zona Verde que terá artistas locais com música variada. Teremos, por exemplo, neste palco, uma noite de karaoke como tínhamos alguns anos atrás nas festas da Praia da Vitória (dia 5 de Agosto).
Temos também o Palco Tradições na Praça Francisco Ornelas. Logo no dia 1 de Agosto, dia da receção dos nossos emigrantes, teremos uma Noite de Fados com a Vera Brasil, Lisete Silva, Iria Martins, radicada nos Estados Unidos e que irá cantar pela primeira vez nas festas do seu concelho e o conceituado fadista Rodrigo Costa Félix. Vamos ter uma Noite de Carnaval (dia 5), no dia do desfile das crianças teremos o Palhaço Pintarolas (dia 8), atuação do Grupo de Folclórico de Castrovaes (dia 3), uma Noite de Cantoria (dia 5), 5.ª Maré e Vozes da Fonte (dia 10), Art´Fado (dia 11).
Para a DreamZone temos um cartaz diversificado com vários nomes como Kevinho (dia 1), Tony Carreira (dia 5), os Kura (dia 6) ou The Gift (dia 7).
JP – … e para além dos concertos?
JB – Teremos na Zona Verde, um espaço infantil onde teremos insufláveis, pinturas faciais, uma atividade das emoções, vão estar presentes vários figurantes como o Mickey e a Minnie, os Patrulha Pata. Tem também um grupo de alunos da Vitorino Nemésio que se voluntariou para animar este espaço.
Teremos também as nossas procissões e coroação e as nossas touradas e a Tourada de Praça (dia 4) com um excelente cartaz. Vamos ter várias charangas da ilha que vão desfilar nos intervalos para que tenhamos sempre animação.
JP- Qual a mensagem que quer deixar?
JB – Uma festa dá muito trabalho em organizar e muita despesa também… mas é feita para as pessoas, que venham à nossa festa. Esta Festa não é para se ver, mas para se viver! Temos uma Festa para todas as idades e para que corram bem temos o tempo e a presença das pessoas. As Festas da Praia têm muitas atracões, desde a sua Feira Gastronómica, os concertos, os desportos…
De 1 a 11 de Agosto venham às Festas da Praia, venham ver este “chão de lava com saber a mar”.
Entrevista: Rui Marques
Fotos: João Costa/Foto Iris
Programa das festas em https://www.cmpv.pt/festasdapraia/2025_FestasDaPraia_Programacao_A3.pdf
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Jornal da Praia (JP) – Nos dias 28 e 29 de Abril de 2025 decorreu na Praia da Vitória o LapinhaFest que celebrou o Dia Mundial da Dança com dois dias dedicados à valorização da arte como espaço de inclusão, criatividade e participação comunitária. Como é que decorreram estes dois dias?
Diana Rosa (DR) - Foram dois dias realmente especiais. Quando começámos a pensar esta edição do LapinhaFest, sabíamos que queríamos assinalar o Dia Mundial da Dança com algo mais do que uma programação — queríamos criar espaço para encontros verdadeiros, para experiências que tocassem as pessoas. E posso dizer que foi isso que aconteceu nos dias 28 e 29 de abril, na Praia da Vitória.
No dia 28, tivemos o privilégio de acolher o Henrique Amoedo, fundador da companhia Dançando com a Diferença, para orientar um workshop de dança inclusiva. Foi um momento muito bonito. Participaram pessoas com experiências muito diferentes — bailarinos, professores, terapeutas, educadores, curiosos — mas com uma vontade comum: descobrir novas formas de expressão e de contacto através do corpo. A proposta do Henrique é profundamente humanista. Ele trabalha com a diferença não como algo a contornar, mas como “matéria-prima” da criação. E isso sentiu-se no ambiente, na entrega dos participantes, na forma como todos se escutaram e se moveram juntos.
Já no dia 29, celebrámos o Dia Mundial da Dança com o espetáculo GABO, da mesma companhia. É um espetáculo infantojuvenil, mas profundamente poético e com camadas que tocam todas as idades. Ver aquela marioneta em palco, dialogar com os bailarinos, levantar questões sobre liberdade, identidade e pertença… foi mesmo emocionante. O público esteve muito presente, muito entregue. E depois, quando fizemos a conversa “Inclusão na Arte”, percebemos que o impacto tinha sido real. Havia interesse, vontade de ouvir, de partilhar experiências. A presença de pessoas como o Henrique, a Bárbara Ramalho, a Íngride Bettencourt e a Sara Sarroeira trouxe uma riqueza enorme ao diálogo.
No fundo, aquilo que mais me tocou foi perceber que conseguimos criar algo com significado. Que as pessoas não vieram só ver “um espetáculo” ou fazer “um workshop” — vieram viver algo com sentido.
Acho que saímos todos transformados, um bocadinho mais conscientes, mais ligados. E isso, para mim, é o que faz tudo valer a pena.
JP – Integrada na iniciativa aconteceu no dia 29 de Abril, Dia Mundial da Dança, no Auditório do Ramo Grande, o espetáculo “Gabo” uma criação de Patrick Murys, interpretado pela Companhia Dançando com a Diferença, que junta em palco pessoas com e sem deficiências unidas pela Dança. Do que se trata este espetáculo e qual foi a receção do público?
DR - “Gabo” é um espetáculo que nos desarma pela sua simplicidade e, ao mesmo tempo, pela sua profundidade. É uma criação de Patrick Murys, interpretada pela Companhia Dançando com a Diferença, e traz para o palco uma marioneta — o Gabo — que se junta a um grupo de bailarinos com e sem deficiência, numa viagem sobre identidade, liberdade, pertença e imaginação.
O Gabo é uma personagem silenciosa, mas cheia de expressão, que nos leva a ver o mundo com outros olhos. Ao longo do espetáculo, vamos assistindo à forma como ele se relaciona com os bailarinos, como se questiona, como descobre o corpo e o espaço. E aquilo que podia ser “só” um espetáculo infantojuvenil transforma-se rapidamente numa experiência que nos toca a todos — independentemente da idade. Há algo de muito puro, muito honesto naquele palco. E é isso que emociona.
A Dançando com a Diferença tem este dom raro de fazer com que a inclusão não seja “tema”, mas prática. Em “Gabo”, não há discursos — há corpos em cena, diferentes entre si, que dançam juntos. E essa imagem é por si só poderosíssima. É disso que se trata a inclusão: da partilha de espaço, da escuta, do respeito, da criação conjunta.
A receção do público foi lindíssima. Sentiu-se uma grande concentração, um grande silêncio durante o espetáculo — aquele silêncio bom, de quem está completamente presente. E no fim, os aplausos foram sentidos. Houve quem se emocionasse, quem dissesse que nunca tinha visto nada assim. Mas o mais importante foi o impacto que se gerou na conversa que aconteceu logo depois. As pessoas ficaram, participaram, escutaram.
Foi uma honra trazer este espetáculo à ilha. No Dia Mundial da Dança, foi talvez a melhor forma de celebrar aquilo que ela pode ser: um espaço de liberdade, de descoberta e de verdadeiro encontro entre pessoas. Porque a dança é isso mesmo, e é para todos.
JP – Como é que surge o projeto LapinhaFest e o porquê desta iniciativa que já percorreu algumas ilhas dos Açores?
DR - O LapinhaFest nasceu da vontade clara e urgente de preencher uma lacuna na oferta cultural dirigida à infância e juventude nos Açores. A realidade cultural da região, especialmente nas ilhas mais pequenas ou com menor densidade populacional, ainda apresenta grandes desafios no que toca ao acesso regular e diversificado à arte e à cultura por parte dos mais novos. Foi com esse objetivo que surgiu esta iniciativa, criar um festival de artes para a infância e juventude que procura tornar a arte verdadeiramente acessível, proporcionando experiências significativas e transformadoras a crianças, jovens, famílias e educadores.
Ao longo de um ano, oferece uma programação contínua na ilha Terceira, mas com ações pontuais descentralizadas por outras ilhas — como foi o caso da primeira edição, que chegou também ao Corvo, Flores e Pico. Esta abordagem promove a coesão territorial e combate as assimetrias culturais ainda muito presentes no arquipélago.
O LapinhaFest não é apenas um conjunto de espetáculos, é também um espaço de encontro e partilha. A nossa programação integra apresentações artísticas, oficinas educativas e conversas com criadores, artistas, professores, educadores e animadores socioculturais. Tem um forte foco na inclusão, na acessibilidade e no enriquecimento do ecossistema educativo e artístico local.
Mais do que um festival pontual, este festival procura criar hábitos culturais e promover uma ligação contínua e “afetuosa” entre as crianças e as artes, contribuindo para a formação de novos públicos e o desenvolvimento integral das crianças desde cedo. Um espetáculo pensado para a infância é, na verdade, um espetáculo para todos os públicos - e é essa visão inclusiva que nos move.
A cooperação entre estruturas culturais e educativas tem sido essencial: o envolvimento de companhias artísticas, escolas, espaços culturais, técnicos e artistas é o que tem tornado possível este projeto. Esta partilha de recursos, saberes e vontades não só enriquece o festival, como tem um impacto direto e real nas comunidades que queremos alcançar.
Acreditamos que as artes são um direito de todos, e o LapinhaFest é a nossa forma de garantir que todas as crianças dos Açores — independentemente da ilha onde vivem — tenham acesso a experiências culturais de qualidade, que estimulem a criatividade, o pensamento crítico, a empatia e o bem-estar.
JP - Além do LapinhaFest, a GeoKids tem promovido outras iniciativas. Quais?
DR - A GeoKids tem um percurso consolidado de mais de 10 anos de trabalho educativo com crianças e jovens. Começámos nas áreas do desporto e da expressão artística em regime de atividades de tempos livres e fomos sempre crescendo e desenvolvendo outros projetos.
Em 2021, lançámos a nossa primeira oficina de teatro infantil com o projeto NATUR(A)RTE, que resultou na peça "Emoções - Vírus é Este?". Mais recentemente, criámos um espetáculo de teatro/dança para a infância "Era uma vez... uma ilha".
O espetáculo “Era uma vez… uma ilha” nasceu do desejo de aproximar a literatura, o teatro e a infância. Criado a partir de obras do Plano Nacional de Leitura e do Plano Regional de Leitura, este espetáculo foi pensado para o público mais novo, mas também para educadores, famílias e escolas que veem na arte uma aliada poderosa no processo educativo.
Com uma linguagem acessível tem-se revelado uma bonita ferramenta para despertar o gosto pela leitura, estimular o imaginário das crianças e promover valores como a empatia, a escuta e o respeito pelo outro e pela natureza. Medimos o impacto não apenas pelos aplausos, mas sobretudo pelas conversas que provoca, pelas perguntas curiosas que surgem nas sessões e pelo entusiasmo com que as crianças partilham connosco o que sentiram.
Desde a sua estreia, o espetáculo já foi apresentado em cinco ilhas dos Açores (para além da Terceira, passou também por São Miguel, São Jorge, Flores, e Corvo) e está programada a ida às restantes ilhas, demonstrando o compromisso do projeto com a descentralização cultural e com o acesso à arte desde cedo, em todo o território regional. Esta circulação vem reforçar o que acreditamos ser um dos “papéis” do teatro como instrumento de coesão territorial, formação de novos públicos e promoção do direito à fruição cultural, mesmo em contextos com menos oferta artística.
JP – Para quem não conhece a Geokids, do que se trata a Geokids Centro Educacional, Lda e como pode ser contactada?
DR - A GeoKids Centro Educacional, Lda é muito mais do que um centro educativo, é um espaço de criação, experimentação e ligação entre a infância, a educação, as artes e a natureza. Desde 2012, desenvolve projetos e atividades que proporcionam às crianças e jovens experiências de aprendizagem ricas, envolventes e integradas, sempre com um olhar atento ao que os rodeia.
A nossa missão passa por criar contextos educativos inovadores que promovam o desenvolvimento integral e harmonioso das crianças desde a primeira infância. Isso significa acreditar que crescer passa por brincar, explorar, chapinhar, correr, trepar, criar, imaginar e sentir o mundo, sempre em contacto com a natureza e com espaço para a expressão artística.
Uma característica que define a GeoKids é o compromisso com a pesquisa constante e a projeção de novas respostas. Estamos atentos às necessidades locais e regionais, e procuramos continuamente colmatar lacunas existentes nos domínios da educação, cultura e inclusão, com especial enfoque na articulação entre natureza e artes.
O GeoKids atua com uma visão inclusiva, participativa e colaborativa, envolvendo educadores, artistas, famílias e a comunidade.
Acreditamos que todas as crianças, em qualquer ilha, em qualquer freguesia, devem ter acesso à cultura, ao desporto e ao contacto com a natureza. A nossa ação está, por isso, sempre orientada por valores como a inclusão, a construção coletiva, a autonomia, o respeito pela diversidade e a educação integral.
Quem quiser saber mais sobre a GeoKids ou entrar em contacto, pode fazê-lo através das redes sociais (Facebook e Instagram), por e-mail (Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.).
JP – Quais os projetos que a Geokids tem para o futuro?
DR - Para o futuro, a GeoKids está já a preparar a segunda edição do LapinhaFest. Queremos aprofundar o trabalho iniciado e dar-lhe uma nova dimensão — ecológica e sustentável. Vamos introduzir uma nova linha programática dedicada aos ecossistemas e à preservação ambiental, sensibilizando o público mais jovem para a importância de adotar hábitos harmoniosos com a natureza.
Uma das novidades será também o Cria.Cultura, um espaço de orientação e capacitação para jovens que queiram desenvolver projetos artísticos e culturais. Com apoio da Startup de Angra do Heroísmo, esta iniciativa pretende ajudar a transformar ideias criativas em projetos concretos.
É importante sublinhar que tudo isto só é possível com a colaboração de muitas entidades e pessoas. A cooperação entre estruturas culturais e educativas tem sido essencial para o sucesso do LapinhaFest. Acreditamos que quando partilhamos recursos, ideias e espaços, ampliamos o impacto e tornamos a arte mais próxima e significativa para todos.
Um espetáculo para crianças é, na verdade, um espetáculo para todos. Quando criamos a pensar na infância, criamos para um público exigente, curioso, disponível. Quando criamos apenas para adultos, corremos o risco de excluir quem mais precisa da arte para crescer e compreender o mundo. As artes são fundamentais para o desenvolvimento integral das crianças — promovem o pensamento crítico, a empatia, a expressão emocional, a criatividade e a consciência social. É por isso que continuamos a defender uma cultura para todos, desde a primeira infância, em todas as ilhas.
Para além do LapinhaFest, a GeoKids prepara também uma nova edição da Oficina de Artes para a Infância, o desenvolvimento de um novo espetáculo infantil e de outro espetáculo para a infância, bem como uma coprodução artística com outras entidades culturais. Estes projetos têm como objetivo continuar a afirmar a importância da criação artística para os mais novos e garantir que a infância tem um lugar de destaque na programação cultural da região.
Entrevista: Rui Marques/JP
Fotografia: Geokids
Diana Rosa
Direção Geokids – Centro Educacional, Lda
Direção Artística e de Produção LapinhaFest
Equipa Lapinha Fest:
Direção Artística – Diana Rosa
Direção Técnica – Markus Trovão
Produção Executiva – Raquel Raposo e Vera Leal
LapinhaFest é um projeto financiado pela Direção Geral das Artes
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Jornal da Praia (JP) - Quem é Gerardo Meneses?
Geraldo Meneses (GM) – Olhe… Para citar, uma frase que aprendi há já alguns anos e que nos identifica “Eu sou aquilo que faço!”.
Geraldo Meneses é uma pessoa que nasceu em 1960, na freguesia das Quatro Ribeiras. Fiz a Escola Primária até à 4,ª classe e comecei logo de seguida a trabalhar numa oficina de marcenaria que era da minha família. Passei toda a infância e juventude a trabalhar. Em 1981 fui para a tropa e durante 16 meses cumpri serviço militar, Acabado o serviço militar foi preparar uma casa para casar vindo a casar em 1986,para as Quatro Ribeiras de onde sou natural.
JP - Como surge a empresa Promotora - Comércio de Materiais de Construção, Lda?
GM - Em 1986, fundei a Promotora, mas em nome individual. Paralelamente ao trabalho de marcenaria, comecei a trabalhar na empresa. A primeira sede da empresa Promotora foi nas Quatro Ribeiras. Os primeiros passos foram dados no sótão e na garagem da minha casa. O negócio foi aumentando e tive de construir num serrado do meu pai um pequeno armazém para dar apoio às vendas. Nesta altura eu e um irmão meu compramos a oficina de marcenaria a meu pai.
Por volta de 1990 decidi então trabalhar a 100% na minha empresa Promotora na área do comércio. No início vendia essencialmente ferragens e componentes para madeira, como era marceneiro, era a área conhecia. Comecei, então, a trabalhar com vários marceneiros.
Foram surgindo oportunidades, amigos que indicavam contactos, fornecedores que indicavam outros fornecedores e passei a diversificar os produtos.
JP – Como é que surge a mudança para as Lajes?
GM – Em 1995, comprei um primeiro terreno aqui na Lajes onde hoje existe a Promotora e, construí um armazém.
A vinda para as Lajes foi motivada por várias razões. Já trabalhava por conta própria, tinha bastantes clientes na ilha e a minha esposa sendo aqui das Lajes, o meu sogro falou de um prédio vizinho e se eu não estava interessado em adquirir. Realmente esta localização mais centralizada possibilitou aumentar os clientes, embora já tivesse clientes em toda a parte da ilha… assim em 1995 instalei nas Lajes a empresa Promotora.
A empresa foi crescendo, foi necessário contratar funcionários e diversificar os produtos para responder à procura cada vez maior motivada por novas construções. Foi nesse crescimento que comecei a frequentar feiras de construção civil em Lisboa e no Porto e sabia das nossas dificuldades da nossa área que o sector tinha em acompanhar a evolução das construções, porque eu tinha passado muitas vezes por dificuldades em concretizar projetos e tinha de inventar formas e sistemas para concretizar alguns trabalhos mais modernos que os clientes necessitavam. Assim comecei a vender com muita facilidade as novidades que trazia de fora porque os nossos empreiteiros, carpinteiros estavam sedentos de produtos modernos e eu trouxe inovação nesta área para a nossa ilha… com esta inovação e novos produtos fui também conseguindo clientes fora da ilha como na Graciosa ou em São Jorge.
Em poucos anos foi necessário aumentar as instalações, o número de funcionários cada vez mais especializados para tentarmos acompanhar a procura cada vez mais exigente.
Diversificamos áreas como o combate às térmicas com a introdução de uma tecnologia francesa chamada de “nanotecnologia” à base de gel que penetra na madeira e absorve em profundidade protegendo e matando as térmitas por um longo período.
JP – Em 2025, como é que está a Promotora?
GM – Neste momento, a Promotora foi vendida. Vendi no início deste ano e está numa fase de transição para o novo proprietário. Continua em constante evolução com novos materiais, ferragens, novos tipos de canalizações, novos materiais eléctricos…, a empresa trabalha com fábricas que produzem produtos mais sustentáveis, de base ecológicas e mais inovadores nesta área.
JP – Uma outra pergunta que gostaria de fazer é… como surge a sua ligação ao desporto, nomeadamente ao ciclismo e os patrocínios a outras modalidades como o futebol ou o automobilismo?
GM – No que diz respeito ao ciclismo, o primeiro contacto com a modalidade surge por volta de 2012, numa altura em que a Fontinhas Activa organizava aqui na ilha as provas de ciclismo e através do seu presidente, o Adriano Toste, que incentivava e desenvolvia a modalidade acabei por apoiar e colaborar. O primeiro apoio surge então em 2012 ano em que o Fontinhas Activa organizou algumas provas entre as quais uma aqui na Vila das Lajes na qual a Promotora foi patrocinadora da prova. Após este primeiro contacto, surgiu então a ideia de ser patrocinador oficial da equipa de ciclismo das Fontinhas… concretizou-se e eles passaram a utilizar o nome Fontinhas Activa-Promotora. Fomos assim ajudando e colaborando muito com o ciclismo.
Sempre fui amante do desporto, pratiquei durante muitos anos desporto, futebol a nível de INATEL e pratiquei a modalidade até aos meus 30 anos. De maneira que gostei sempre de desporto e como ciclismo nessa altura teve um grande desenvolvimento devido ao interesso e trabalho da equipa do Adriano, conseguiu-se dinamizar e tornar o ciclismo naquilo que é hoje… costumo dizer que os apoios são uma parceira com interesses mútuos que acabam por se tornar um gosto e criar amizades.
Além do ciclismo, a Promotora apoiou o automobilismo, essencialmente o Bruno Silva e o irmão que durante alguns anos fomos o sponsor principal.
A Promotora é também o sponsor principal do Lusitânia, apoia a Associação de Futebol de Angra do Heroísmo, entre outros apoios a outras equipas. Também fomos os pioneiros no apoio ao torneio Ramo Grande Azores Cup em que a Promotora é patrocinadora desde início desta competição.
Embora os apoios tragam retorno publicitário às empresas, mas sempre tive a consciência dos apoios às instituições e apoios sociais, sempre fui sensível a isso por várias razões que a vida nos ensina e por natureza própria.
JP – ainda, relativamente ao ciclismo, este ano Gerardo Meneses foi homenageado numa clássica do ciclismo da ilha Terceira. Estamos a falar da Clássica JAurora - Homenagem a Gerardo Meneses. O que representou para si esta homenagem?
GM – Esta prova já existe alguns anos. E já alguns anos que os organizadores tem vindo a distinguir vários colaboradores ou várias figuras do ciclismo e este ano como reformei-me e vendi a empresa tendo acordado que seria o último ano que patrocinava a equipa, agora um novo patrocínio depende do novo proprietário e do que decidirem, decidiram então homenagear-me como colaborador do ciclismo, não só das Fontinhas Activa-Promotora, mas como apoiante do ciclismo porque eles próprios (Associação Fontinhas Activa) é que organizavam todas as provas. Agora já existe uma delegação a Associação de Ciclismo dos Açores e as provas de BTT e outras do género são organizadas por esta associação mas, as Fontinhas agora com outra empresa a Fontinhas Desporto Eventos continua, devido à experiência, a organizar as provas de estrada em ciclismo.
Como disse, esta Clássica já existe alguns anos patrocinada pelo JAurora e este ano decidiram homenagear-me. Damos nome também a uma competição disputada em cinco, seis provas em que a Promotora é a patrocinadora, estamos a falar da Taça Promotora. Durante vários anos fomos apoiando com viaturas, transportando bicicletas, materiais e, sempre colaborei desde o inicio com esta organização.
JP – Pela nossa conversa, o senhor Gerardo é uma pessoa ativa que certamente não irá “arrumar as chuteiras” vai pensar noutras ocupações, manter-se ocupado, agora que já está reformado…
GM – [risos] – Já está pensado. Tenho alguns pomares, umas coisas para fazer manutenção e gosto de praticar algum desporto. Costumava e ainda gosto de treinar e jogar com os veteranos do Juventude Desportiva Lajense, praticava futsal com um grupo de amigos apesar de ser um dos mais velhos do grupo, caminhadas e alguma corrida também. Mas, o que me veio limitar, forçar, “dar esta volta”, foram motivos familiares, de saúde e a reforma, que motivaram alterações na minha vida, desacelerar foi necessário… agora aproveitar a vida!
JP – Que mensagem gostaria de deixar aos leitores do Jornal da Praia?
GM - Fico muito grato pelo vosso interesse nesta entrevista, nesta passagem pela minha vida pelos negócios, pelo desporto, fico muito grato e deixo aqui que, apesar de não continuar a apoiar através da empresa financeiramente, irei, dentro do possível, participar sempre na ajuda, por exemplo, no ciclismo porque ficou uma amizade em que estarei disponível e assim ocupar também o tempo… e, penso levar a vida assim se Deus o permitir e me der… continuar a dar a saúde que ficou e que felizmente dá para desenrascar a vida, pretendo manter-me assim ativo e colaborar com instituições que mantenho amizades de longa data.
Entrevista: Rui Marques/JP
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Jornal da Praia entrevista Francisco Ferraz da Rosa, Presidente da Associação dos Radioamadores da Praia da Vitória.
Jornal da Praia (JP)- A 18 de Abril comemora-se o Dia Mundial do Radioamadorismo, o que representa para os radioamadores esta efeméride e do que se trata o radioamadorismo?
Francisco Ferraz da Rosa (FFR) - O “Radioamadorismo” permite ao praticante praticar um hobby que estuda o fenómeno da intercomunicação pessoais via rádio, como hobby, sem fins lucrativos e também permite realizar comunicações entre as populações em caso de colapso das redes moveis.
O radioamador é ainda um individuo que utiliza os seus equipamentos de radiocomunicações, como forma de conhecer a importância de interligar-se via rádio com todo o Mundo.
JP - Criada em 2013, a Associação dos Radioamadores da Praia da Vitória - CS4AR tem vindo a desempenhar um papel importante na sociedade e proteção civil. Qual o balanço que faz da atividade da associação que preside?
FFR - Considerando os limites, limitações e obrigatoriedades legais impostas aos radiomadores, a ARPV tem-se destacado por uma variedade de actividades e operações de apoio à comunidade.
A destacar o apoio à circulação de danças de Carnaval no seu circuito habitual nos palcos da ilha Terceira. Destaco também o apoio aos escuteiros de Santa Cruz (Praia da Vitória) em várias edições do “Jamboree No Ar” (JOTA), assim como, em vários simulacros do Serviço Municipal da Praia da Vitória e do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, e na formação de várias interessados na obtenção de licença de radioamador.
JP - No dia 18 de Abril de 2019, a Associação dos Radioamadores da Praia da Vitória, numa demonstração efetuada na Praça Francisco Ornelas, fez um apelo à alteração da legislação que rege atualmente esta atividade em Portugal. Desde então o que tem sido feito para alterar as restrições impostas… estamos a falar do Decreto-Lei n.º 53/2009, de 2 de março?
FFR - A ARPV lança a primeira petição para alteração deste decreto-lei a 24 de Janeiro de 2018. Conseguimos 1245 signatários que se juntaram a nós para a alteração deste decreto lei.
Posteriormente, a 23 de Setembro de 2020, esta petição é apresentada no site de petições da Assembleia da Républica. No seguimento, o relator da AR solicitou uma audência em video-chamada tendo as nossas reivindicações sido apoiadas pela comissão de inquérito.
Mais recentemente mantivemos contactos representantes de vários grupos parlamentares com reprsentatividade Açoriana.
Temos conhecimento de um trabalho elaborado pelos deputados Dr Francisco Pimentel e Eng. Paulo Moniz (PSD Açores) ambos do circulo eleitoral dos Açores à AR, com o intuito de se proceder à alteração urgente deste decreto-lei que tanto limita a actividade dos radioamadores recém-licenciados.
Infelizmente, apesar das promessas feitas por ambos relativas à alteração da legislação em vigor, voltamos a ver as nossas contestações voltarem à estaca zero devido à queda do governo.
JP - No passado dia 25 de Abril do corrente ano, a associação esteve de portas abertas entre as 12h00 e as 18h00 para celebrar “o 25 de Abril” convidando a população para visitar a sede e ver uma exposição de rádios. Estas iniciativas são importantes para dar a conhecer as vossas atividades bem como a vossa associação?
FFR - Sem dúvida. O Governo Regional dos Açores atribuíu a 26 de Outubro de 2015 o estatuto de UTILIDADE Pública à ARPV, pelo facto de a “Associação dos Radioamadores da Praia da Vitória” visar fomentar e divulgar processos técnicos no domínio das telecomunicações, bem como criar e manter estações emissoras/recetoras e repetidoras, que sirvam de apoio às comunicações das estações amadoras ou prossigam outros fins legalmente permitidos aos radioamadores.
A ARPV tem desenvolvido uma ação relevante no apoio ao cumprimento do “Plano de Emergência Concelhio e Regional de Emergência e à Proteção Civil em cenários de emergência e/ou de catástrofes através da criação da Rede de Comunicações de Emergência.
A “Associação dos Radioamadores da Praia da Vitória”, fomenta a difusão expedita da informação em diversas áreas e tem tido como objetivo a promoção do interesse público através da valorização da qualidade do serviço prestado à comunidade onde se insere.
JP - Ao longo dos anos temos vindo a assistir a uma grande evolução das comunicações e das formas como comunicamos. Atualmente, a atividade do radioamadorismo em Portugal e no mundo é uma mais-valia para as populações que em caso de catástrofes podem contar com o vosso apoio?
FFR - Sem dúvida. Os nossos recursos tecnológicos e os nossos equipamentos estão ligados 24 horas por dia.
Grande parte dos nossos sócios são radiomadores localizados em ambos os concelhos da ilha Terceira mantendo-se em absoluto estado de prontidão para colaborar nas inter-comunicações de emergência e tráfego de mensagens sempre que solicitados para tal.
JP - Quais os projetos que a Associação dos Radioamadores da Praia da Vitória pretende desenvolver nos próximos anos?
FFR - Uma das nossas prioridades é sensibilizar a comunidade politica para a URGÊNCIA na revisão e alteração da legislação de regula o radioamadorismo. Tanto os radioamadores como as associações de todo o país passam por momentos de absoluta agonia e asfixia criados pela actual legislação.
Uma vez que o governo da républica altere o decreto lei que rege o hobby em Portugal, procederemos de imediato à organização de ações de formação para novos radioamadores, sessões levadas a cabo na nossa sede social.
Paralelamente, tentamos angariar fundos para a ARPV com o objectivo de melhorarmos progressivamente todos os nossos equipamentos.
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A época taurina tem início na primavera e vai até ao final do verão, com vários eventos taurinos, acompanhados de outros eventos populares que fazem parte das festividades de várias localidades da Ilha Terceira.
A abertura da época na Ilha é sempre um momento de grande entusiasmo e alegria para os terceirenses e para todos aqueles que nos visitam, marcando o início da temporada de touradas à corda, uma prática profundamente enraizada na cultura local nesta Ilha Redonda, como a chamou Nemésio.
Para além de festas religiosas e populares e ainda de vários eventos culturais que celebram a herança açoriana, as touradas são um dos eventos mais tradicionais da Ilha de Jesus Cristo e ocorrem entre 1 de maio e 15 de outubro durante várias festividades, distribuídas pelas 30 Freguesias da Ilha, sendo uma das grandes atrações turísticas. É, sem sombra de dúvida, o espetáculo preferido das nossas gentes e, a confirmá-lo, o realizarem-se mais de 200 espetáculos por ano com os arraiais a servirem de palco, maioritariamente, com grandes enchentes.
O primeiro registo histórico de uma tourada à corda remonta a 1622, durante as celebrações da canonização de São Francisco Xavier e Santo Inácio de Loyola em Angra do Heroísmo. No entanto, acredita-se que esta tradição seja ainda mais antiga, possivelmente iniciada pelos primeiros povoadores que aproveitaram o excesso de gado na ilha.
Além disso, estes eventos taurinos são uma verdadeira celebração de cultura e tradição, que envolve tanto os locais como os visitantes ao som de belos pasodobles, com o ambiente de festa a ser complementado por músicas, danças, desfiles, cortejos e outras manifestações culturais que caracterizam as festas de verão.
Freguesia que se preze inclui, nas suas festividades, uma ou mais touradas à corda e disputam, por elevado preço, os toiros mais afamados das diversas ganadarias. Duma maneira geral esses toiros são escolhidos durante a época transata em que, as respetivas comissões de festas de freguesia ou mesmo particulares, no final de cada corrida, ou até mesmo no fim da época, vão ter com os ganaderos já alugar os toiros que mais se destacaram para correrem nas festividades daquele ano ou até mesmo do ano seguinte.
A azáfama é tão grande que a maior parte dos amantes da festa brava, que ao longo da época de defeso de 16 de outubro a 30 de abril, efetuam a contagem regressiva, contabilizando assim os dias em falta para o iniciar de mais um Verão de touradas, expressando desta forma que esta manifestação está nas raízes da nossa gente e é a alma das nossas tradições.
Deste modo, a época das touradas à corda na Terceira está prestes a começar estando previstas as primeiras touradas para 1 de maio, sendo distribuídas pelos dois concelhos deste santuário ilhéu e que serão brevemente e oportunamente divulgadas neste jornal.
O primeiro dia de maio, para o aficionado, é o dia mais importante no calendário taurino. Em Dia do Trabalhador e que coincide com o primeiro dia das primeiras touradas à corda do ano civil, as freguesias que são arraial de tourada ficam diferentes, é dia de festa.
O preparar para uma tourada à corda é um processo que envolve diversos rituais e atividades, desde a manhã até ao enjaulamento dos touros para o evento. A tradição é cheia de vivências comunitárias, e cada etapa do processo é marcada por um grande convívio, onde a comunidade se envolve ativamente, criando uma atmosfera única.
Assim, a tourada à corda começa logo pela manhã cedo em que, por costume, vão em romaria numerosos grupos de aficionados de várias gerações até ao tentadero no interior da ilha onde o toiro é o principal ornamento da bravia paisagem terceirense, apesar de ultimamente se ver gente de outras localidades que estando de férias ou reformados, se associam em tão alegre convívio.
São horas de intensa alegria e enquanto os forasteiros e aficionados lançam achas para os grelhadores para dar arranque a um dia especial, os pastores e alguns colaboradores da ganadaria vão aos campos verdejantes (chamados de "matos") para capturar e separar os touros para a tourada. O trabalho de apartar os touros é feito de maneira cuidadosa, de forma que tudo corra pelo melhor com o objetivo de ninguém se magoar desde pastores até aos próprios animais destinados a seguirem até ao arraial.
Depois não pode faltar o servir de comes e bebes à boa moda da Terceira, sempre pródiga em colocar a mesa para todos, tanto convidados ou não, onde não pode faltar uma cervejinha e um bom vinho, bifanas, entremeadas temperadas, sardinhas, multíplices acompanhamentos e não olvidando as saboridas sobremesas.
Após a almoçarada e de bons momentos de convívio e confraternização entre amigos e turistas que se juntam á festa no tentadero, todos os visitantes são obsequiados com umas vacas bravas, para delírio dos mais afoitos em aventurarem-se a enfrentar estas reses.
A meio da tarde, a cerca de duas horas antes do evento, inicia-se o apartar dos toiros para respetivo enjaulamento, enfeitam-se os carros com hortênsias de variadas cores e o cortejo organiza-se até á freguesia em marcha lenta, entre o buzinar dos veículos e a carrinha que transporta as gaiolas dos toiros enjaulados com maestria e destreza nas pastagens do ganadero, sendo que antigamente os toiros eram levados a pé para os lugares dos festejos e metidos num touril feito de pranchões e tábuas. Hoje o transporte é feito em gaiolas feitas propositadamente para o efeito e deslocadas em camionetas apetrechadas com guinchos para que as ditas gaiolas sejam colocadas no chão com eficiência e brevidade.
A chegada dos toiros á freguesia é, se assim se pode dizer, o começo da Festa, a atmosfera se transforma, com uma energia vibrante, pois se fazem cortejos de carros, músicas, foguetes, grande acompanhamento de aficionados que correm o arraial, engalanado com janelas ornamentadas com mantas tradicionais e muros cheios de espectadores alegres, de lindas raparigas que exibem vestidos de tom garrido condizentes com a época do ano cortejadas pelos rapazes que lá vão percorrendo o arraial de maneira descontraída.
As portas são abertas aos amigos, enchem-se as mesas com as diversas iguarias típicas da região desde alcatras á massa sovada, dos torresmos cabinho ao vinho de cheiro da ilha, dos pratos salgados aos pratos doces…
Para além dos limites ou extremos do percurso do arraial, que geralmente não excede 500 metros devidamente assinalados no chão com três riscos a cal branca ou com fita adesiva, instalam-se as tascas ambulantes: cerveja em abundância ou refrigerantes acompanhando as respetivas bifanas de porco, pedaços de linguiça e morcela frita, ovos cozidos e batata cozida com malagueta, tremoços da terra, curtume caseiro, favas escoadas, para além ainda das lapas e das saborosíssimas cracas.
Tal como são caraterizados estes eventos taurinos, são corridos quatro toiros de raça brava todos embolados, a capas de coiro ou bolas de metal, e manipulados por 10 pastores que se trajam a rigor com calça de cotim cinzento, sapato de lona ou sapatilha, chapéu de feltro preto denominado por “chapéu à manzatini”, camisola de tecido branco que ostenta um bordado com o ferro da “Casa” que estão servindo, e conduzem o toiro através de uma corda com cerca de 100 metros que está presa ao pescoço do toiro.
Com o sino da igreja da freguesia a bater as seis horas e meia, o foguete risca no ar uma estrada de fumaça, anunciando de que o primeiro toiro sairá á rua. E daí a instantes aparece no caminho o toiro, imponente e altivo, limpando o caminho com as suas arrancadas, e permitindo aos capinhas mostrarem os seus dotes de toureiros em clássicos passes de guarda-sol ou milimétricos quiebros com que rematam as suas sortes. Ouve-se por vezes o “arreda-te” dito pelos entusiastas intercalados com os “ais” preocupados das mulheres.
Depois de finalizado o evento tauromáquico, estrala os foguetes rematando a tourada. No entanto, a Festa continua para além disso, prolongando-se noite dentro com o 5º toiro. A afición entra de casa em casa de amigos que abram suas portas para bem receber seus familiares, visitas, amigos e convidados a desfrutarem de mesas exorbitantes até altas horas da madrugada, acontecendo por várias ocasiões alguns deles saírem mais combalidos, fisicamente, do que se enfrentassem algum toiro de verdade. Isto tudo é algo de único na forma como o povo vive estas festas: a rua que se transforma em arena, o toque da filarmónica, o touro bravo que corre e impõe respeito, e o convívio que se prolonga no fim da tarde com sabor a churrasco e conversas boas.
Contudo, no computo geral a tourada á corda é um espetáculo agradável em que sempre surgem situações imprevisíveis, cómicas ou por vezes dramáticas, mas para a qual os aficionados acorrem dando a sua presença, sinal visível que é do seu agrado e da afincada importância deste tipo de evento, contribuindo, deste modo, para a valorização e preservação daquela que é uma das mais emblemáticas manifestações culturais dos Açores.
Só resta desejar que seja, pois, uma época cheia de emoção, de respeito pela bravura do touro e pelo espírito da festa. Que os capinhas, os pastores e todos os restantes intervenientes, de uma forma ou de outra, mantêm viva esta tradição, tenham uma temporada segura, vibrante e cheia de momentos memoráveis. E que na próxima época de defeso, com um copo de vinho ou um cafezinho, a afición se reúne nas vendas, nos cafés, nas Tertúlias ou até mesmo nas Casas do Povo para debaterem com orgulho sobre uma temporada que valeu a pena viver, recordando e engrandecendo, assim, aquela que é uma das mais grandiosas festas do ano.
Daniel Silva Nunes, Tauromaquia Jornal da Praia
Foto da 1.ª página: “Arraiais a servirem de palco, maioritariamente, com grandes enchentes – Cabouco das Fontinhas” – Foto: de João Edgardo Vieira





