Diretor: Sebastião Lima
Diretora Adjunta: Carla Félix

Setembro é o mês de regresso às aulas. Desde das creches ao secundário tudo se prepara para o início de mais um ano letivo. Este regressar às habituais rotinas ou a novas rotinas, leva com que as famílias se organizem entre o trabalho e os horários escolares. Também iniciam-se as actividades extra-escolares : desporto, música, dança ou de prolongamento escolar como os Centros de Ocupação de Tempos Livres. Há também quem frequente a catequese aos dias de semana ou fins de semana.

Contabilizando as horas escolares e de restantes atividades as nossas crianças e jovens têm uma jornada mais longa do que a maioria dos pais. Não obstando ainda que por vezes têm os deveres escolares e as horas de estudo autónomo. Não quero aqui dizer que esta constatação cause problemas a todas as crianças e jovens, mas quero fazer refletir se não estaremos a criar aferição aos contextos escolares, dada a sobrecarga a que crianças e jovens estão sujeitos??

A partir de uma certa idade quando perguntamos se gostam de estar na escola, a maioria diz que não. As matérias são maçadoras. Por vezes, não há inovação nos métodos de ensino e a prática só acontece se os conteúdos (programas) forem lecionados na quase totalidade.

Vários estudos indicam que aprendemos mais através da ação. Este conceito foi desenvolvido por Reg Revans (1982) e diretamente ligado ao famoso l"earning by doing" (aprender fazendo), defendido por educadores como John Dewey. Existem pois essencialmente no nível do ensino pré escolar e até mesmo em outros contextos a aprendizagem através da ação. É o caso do projeto desenvolvido pela Educadora de Infância Sónia Pimentel no "Gu e a Tita" que através do contato com a natureza e projetos estruturados ligados a agricultura, ciência, entre outros, que levam com que as crianças aprendam através do desenvolvimento de atividades em contextos reais. É pois, diferente ensinar com atividades práticas e não apenas com conteúdos teóricos. Esta educadora utiliza um misto de pedagogia de Walford, Montossori e trabalho por projeto.

Outro exemplo está presente na valência do Centro de Desenvolvimento e Inclusão Juvenil FORTIS da Santa Casa da Misericórdia da Praia da Vitória. Nesta resposta comunitária, jovens dos 14 aos 25 anos estão integrados em vários ateliers ocupacionais que pretendem promover competências pessoais, sociais e profissionais. Assim, desenvolvem o Atelier Eco FORTIS onde dinamizam uma horta biológica, o Atelier Sem Amarras que integra uma componente náutica e de restauro e manutenção de embarcações e o atelier Vida FORTIS que pretende promover competências pessoais e sociais, assim como atividades outdoor (trilhos, atividades de vida diária, visitas a locais de interesse). Finalmente e não menos importante, o FORTIS desenvolve em parceria com as escolas do concelho da Praia da Vitória, o programa MindSerena. Este programa de educação socioemocional baseado nos princípios do Mindfulness, pretende promover estratégias de auto-cuidado e promoção da saúde mental.

Enquanto uns continuam a pensar que o bem estar mental é uma nova realidade, quase utópica, há que continuar a proporcionar oportunidades que criam alicerces para a aprendizagem efetiva e o desejo de progredir. Repensemos pois as nossas atitudes perante crianças e jovens de forma a ajudá-los nos desafios atuais do mundo do ensino e da conciliação com as atividades de enriquecimento pessoal (que funcionam também como uma filtro das frustrações diárias).

Carla Félix, Diretora Adjunta

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